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quinta-feira, 27 de setembro de 2012

Sonhos...


Sonhos é uma coletânea do cinco últimos textos que eu criei. Começarei postando aqui "A colher de pau" mais simples, e o preferido pelo Ícaro que leu quatro dos cinco. Espero que curtam. Postarei de 1 a 2 por semana, e em breve começarei uma nova série, por enquanto intitulada "Presos"



A Colher de Pau

“Não, eu não quero... para com isso pai, para mãe. Vocês não gostam de mim?” O menino chorou.
 O casarão colonial pode ter sido a casa mais linda de todo o bairro do pequeno menino, durante o século 18. Sua estrutura colossal cedeu ao tempo. Era fácil de notar pelo reboque despedaçado, o amarelado que marcavam até onde algumas inundações ocorreram ali, quartos sem janelas e algumas janelas sem quartos. No que sobrou dos dois andares, via-se algo que tentava lembrar a beleza arquitetônica de todas aquelas construções míticas do barroco. Mesmo assim, parte da casa era só escombros, outra parte, escuridão.

“Papai, você sempre foi meu herói, porque quer que eu pegue a colher de pau que o cachorro levou la dentro sozinho?” Não houve resposta. Após alguns segundos de trocas de olhares, o menino desistiu de tentar convencer seu pai a ir la dentro com ele. “Não tenha medo...” era  o pedido da casa.  Sua mãe não se intrometeu...

‘Eles não querem eu por perto, todos que entram la desaparecem, por que eles querem que eu desapareça. Eu amo eles, tanto...’ O menino cedeu e partiu para sua jornada preta e branca.

A porta de entrada tinha cinco vezes seu tamanho .  Ela se manteve trancada durante toda a vida do menino, mas assim que ele se aproximou ela abriu sozinho.
‘’Sinta-se vontade, não te farei mal se você for uma boa pessoa aqui dentro.’’  A voz soava como de uma menina, nem criança nem adulta, mas ele sabia que era a casa.

Apesar de toda boa receptividade, o menino tremia, suava frio, seus passos curtos de uma criança de 6 anos se tornavam mais curtos e pesados cada vez que adentrava mais no salão de recepção.
“Por que tanto medo, criança? Ou é tristeza, não sei o que observo em seus olhos inocentes.”

Ele sabia que não voltaria mais, uma infinidade de crianças já desapareceram lá dentro antes dele. Ele sabia que era isso que seus pais queriam.
‘Mas eu os amo...’ era o seu pensamento principal.

De repente um latido. Descia a escada que levava ao segundo andar o seu cachorrinho. “Por sua culpa meus pais não me querem mais, cade a colher de pau!??” Olhou com raiva para o cachorro, que se encolheu e parou de abanar o rabo na hora.

“Não o culpe, pequena criança. Ele é só um cachorro, não é nada diferente de você. Também foi abandonado pelos pais, mas você faz ele se sentir bem. E aqui ele te entende perfeitamente” A criança não sabia o que dizer, começou a chorar e correr pra fora, mas já era muito tarde, estava totalmente escuro , seus pais haviam partido.

A noite era escura, não havia lua, não havia estrelas  nem algum outro tipo de luz artificial ali perto. O preto e branco da casa era muito mais convidativo àquilo.
“Eu sempre fui um bom menino... sniff” .
Lá dentro ele se acomodou num canto no andar de baixo, não havia nenhum outro móvel dentro da casa.

O seu vira-latas desceu com a colher de pau assim que o menino apagou e se ajeitou do lado dele. “Não é culpa minha... me desculpa.” E ficou la durante algum tempo.

Quando o menino acordou no meio daquele nada com paredes parecendo que ia despencar em sua cabeça, notou que estava mais alto, mais velho, suas roupas de criança jaziam rasgadas no chão. Confuso.
‘O que aconteceu? ‘ Passou a mão em seu rosto e notou que havia crescido alguma barba. Estava pelado porém não sentia frio. Então ele lembrou da colher de pau e resolveu subir a escada.

“Que bom que você levantou, garoto. Já está durmindo ai durante anos...” - a voz da casa era a mesma- “Existem outros que nunca se levantaram...”

Ele não respondeu a voz, preferiu continuar subindo as escada e procurar a colher de pau.

“Seu cachorro desceu a colher de pau, infelizmente a umidade e o tempo em que ela ficou ai a destruiu. Não há nada em cima como não há embaixo, a colher esta de baixo de suas roupas de criança...”

Assim que ele terminou de subir, ele viu outro cachorro mordendo outra colher de pau. Esse não era o seu cachorro e o cão até rosnou pra ele.  Vindo lá de baixo, ele escutava uma voz de criança, chorando, implorando para seus pais não deixarem ele entrar na casa sozinho. A mesma coisa que ele passou sabe-se lá quantos anos atrás. Ele lembrou de tudo

Num ataque de fúria, ele pulou em cima daquele cachorro e roubou a colher de pau do mesmo. Com um ataque, ele quebrou o crânio do cachorro e a colher... o cachorro morreu e ele passou a andar sobre quatro patas, os latidos passaram ser sua única palavra, mas ele entendia tudo o que a criança falava e o que a casa falava.

Num canto daquela mesma sala de cima, ele viu os ossos de outro cachorro, jazia ali a muito tempo, seu coração doeu, eram os ossos do cachorro dele... então ele tentou se aproximar da nova criança que o xingou, o rejeitou, tacou uma pedra nele. Na noite, ele levou a colher de pau quebrada lá pra baixo, desculpou-se com o menino, sabendo que o destino dele seria o mesmo que o seu, subiu as escadas e esperou seu fim...

“Você só precisava ser um menino bom aqui dentro e tudo daria certo...”

Uns agradecimentos

Aos meus amigos, principalmente ao Icaro que me ajudou nesses últimos tempos com meus textos (há vários textos postados aqui que foram refinados, mas deixo esses aos curiososo) Agradeço a todos os outros leitores que ficaram me enxendo o saco pra postar novos textos aqui, e hoje eu volto a postar, ao menos um por semana. Quero comentários, críticas e sugestões.

segunda-feira, 27 de junho de 2011

Quando a Morte Ama

Toc... Toc... Toc...

As mãos dela batiam naquela porta talhada em madeira de uma casa que um dia já fora uma grande casa...
Aquele homem a esperava já a algum tempo.
- Entre, senhora! – Disse, olhando para o espelho colossal que enfeitava aquele grande hall, onde eram dadas grandes festas com muitos convidados.

Estava frio, mas o homem não se importava. O fogo, que a pouco ardia na lareira, se apagou. Dele, sobrou só algumas brasas que davam um tom a mais ao cômodo. As luzes estavam apagadas.
- Há muito te espero, achei que não precisaria forçar sua visita. – olhava para baixo agora, seu copo de bebida, já vazio, agora eram estilhaços no chão, suas mãos não o ajudavam mais, a idade trouxe seus problemas e as vezes seus movimentos eram autônomos – e tome cuidado com o chão, não quero que ninguém mais se machuque...
O vento zumbia por entre os buracos das janelas - todas de madeira, muitas, podre – trazia ao homem lembranças daquela que entrava. Era criança quando a conheceu, a época era estranha para ele (estava na puberdade, talvez) e muitas coisas passavam despercebidas pela sua mente, ainda sã.

- Você não mudou nadinha – sorriu – é como se fosse a primeira vez, você lembra? Um jardim de flores, a brisa que me aconchegava, e você, sempre com essa pressa, era a mesma. Daquela vez fora rápido demais, mas você me notara...E como continua maravilhosa – se virou para olhar pra ela. Não pela última vez.
Aquele jardim fora do pai. Quando ele a conhecera lá era o refúgio que ele usava ao invés de pedir colo pra mãe, como maioria das crianças nessa idade faz quando esta triste. Rosas, cravos, violetas... eram tantas as variedades de flores que ele se perdia só de pensar em ficar lá, deslumbrando aqueles arranjos que só seu pai sabia fazer.

- Achei que você não tinha ido com minha cara da primeira vez. Mas deve ser coisa de criança mesmo – se abaixou e começou a catar os cacos do copo – Mas viramos amigos, muito mais que isso, cúmplices. Eu era apaixonado por você.
Lágrimas escorriam pelo rosto dele.

- Pode pegar aquela vela pra mim?- ele apontou pra um lado - Já não enxergo tão bem, muito menos nesse escuro. – e lá ela foi, com seu andar suave. A vela se encontrava na cozinha, ja acesa a algum tempo. O homem sempre teve preferência pela escuridão, ou penumbra quando precisava de alguma luz. Gostava da luz da lareira quando acesa, ou de velas, no verão, quando era mais quente e o calor da lareira era de mais.

- Crescemos juntos, lembra de nossas conversas? Eu sempre falava de coisas que eu não entendia fingindo entender – Ela vinha com a luz pelo caminho que os separava (ou unia) ali – Como aquilo era bom.

O tempo tinha sido gentil com ela. Continuava quase como ele a conheceu, agora um pouco mais alta e muitas poucas rugas na pele. Ela o ajudava com os estilhaços.
Contudo, ele não era tão velho, estava por volta dos seus 50 anos, o que era o novo 20, mas a vida e o tempo não foram tão gentis com ele...

- Por que você sempre foi apressada? Sempre me perguntei isso. Pra mim só bastava estar com você, mesmo jovem, aquilo ja era suficiente pra mim. Cada hora você tinha que estar em um local. Jurava que era importante, e eu a deixava ir com um pesar. Se soubesse que você sumiria por tanto tempo, te prendia junto a mim em qualquer lugar... – ela também sorriu pra ele, enquanto o olhar dos dois se encontravam – e esse é o último pedaço – pegava mais um caco no chão - pelo menos o último que meus olhos conseguem ver. Vamos jogar isso no lixo.
Eles nunca tinham se tocado mais intimamente que um abraço. E talvez aquele tenha sido o olhar mais emotivo que eles trocaram.

Ela apenas o seguia até a cozinha enquanto ele ia jogar fora o vidro.
- Você nunca veio aqui também neh? Vou te mostrar a casa, enquanto ela ainda permanece de pé... Agora vivo mais na cidade do que aqui, mas como sei sua preferência pelo campo, preferi te chamar para cá. Teve uma época que aqui fora badalado e as portas e janelas não serviam de comida para cupim, como são servidas agora. Depois que minha esposa morreu não senti mais aquele prazer que tinha de cuidar daqui. Fazem 5 anos... E também a última vez que te vi.
“Aqui é a cozinha... O bar aqui ainda permanece cheio, se quiser alguma bebida – realmente, havia lá todo tipo de bebida, de pingas caseiras às mais requintadas garrafas de whisky – Vê aquele fogão a lenha, não é usado desde que a perdi...lá dentro deve haver o ninho de alguma coisa peçonhenta...”

Ele foi indo de volta para o hall, o chão, de madeira, rangia a cada passo deles. Ele então lembrou de quando passou no seu vestibular, a moça que o seguia não estava lá para comemorar havia um tempo já. Ele conseguiu muitas coisas a partir dai. Conseguiu ficar famoso. E só a viu poucas vezes durante os 30 anos seguintes.
“Esse Hall... Quantas pessoas já não passaram por aqui, eram grandiosas minhas festas. Pena que você parecia estar longe, sempre longe. Acho que você não aproveitou nenhuma, não lembro de ter você aqui.” Olhou com pesar para todos os lados. “Estranho o espelho ser a coisa mais duradoura aqui, não ter quebrado até agora, ou rachado em tantas comemorações que tivemos aqui”.
No centro desse hall de entrada havia uma escada, para a qual ele seguia agora.

Ela se olhou um tempo no espelho, a vela iluminava o seu rosto e ela parecia fascinada com tudo aquilo. Ele a chamou:
- Suba, minha querida. Lá em cima tenho mais histórias para contar de todo esse tempo – ela deu mais um olhada para o espelho e o seguiu. Seu vestido era branco, colado ao corpo; o decote que ela usava a deixava mais chamativa ainda. Suas curvas não mudaram nada desde quando ele tinha por volta dos 17, 18 anos, o homem pensou.

- Lembra do que você me chamava? Leaf. Folha em inglês, mas também me lembrava vida. Como era bom ouvir ou ler algo que eu sabia que era de você pra mim. Leaf... – no rosto dela escorriam lágrimas e brotava um sorriso...

O andar de cima era mais luxuoso, rústico, mas cheio de coisas que fazem lembrar qualquer casa imperial. Móveis, pinturas, outras obras de arte enfeitavam uma sala que se ligava, através de um corredor, a dois quartos, um banheiro e uma varanda.
- Quantas noites não passei aqui durante os quase 10 anos que fui casado com minha mulher. Ela me fez feliz, como você me fez...
Na sala havia outra porta que dava pra um pequeno quarto onde eram guardados vários quadros com quebra-cabeças montados...
- Faziamos muito eles – ela entrava pela porta, com a curiosidade de uma criança – era um de nossos passatempos quando estavamos juntos... fizemos uns 30 nesses 10 anos que fomos casados. Algo dela ainda vive aqui – ela olhou para eles, como se contasse peça a peça cada um, parecia estar extasiada com aquilo....
Ela ficou la durantes mais uns dois minutos.

Depois, foram em direção ao quarto.
- E aqui, quantas outras mulheres já não passaram antes de eu me casar? Eram tantas. Tempos ótimos aqueles também. Como eu gostaria que você passasse por aqui também... – um pouco de silêncio... e mais um pouco... ele abriu a porta do guarda roupa, que revelou uma passagem para um outro banheiro, magnífico também. Havia uma banheira nele e um teto de vidro, uma a vista livre para olhar para o céu enquanto se banhava ali...
“Se essa banheira falasse...” ele olhou apaixonadamente para a banheira “... mas vamos à varanda, onde esse corredor acaba.”.
Ela olhou para a banheira e ficou algum tempo olhando para o teto. Para o céu. Naquela noite, não havia lua e dali poderia enxergar qualquer estrela... era acalmante, era um sonho...

Quando voltou a si, ela seguiu até a varanda, que estava aberta. Leaf não estava lá... o vento fez as portas baterem... Calmamente ela foi voltando para o hall de entrada. Leaf estava lá... se olhando novamente no espelho, com um copo de bebida na mão, vazio... Ele a viu com fascínio descendo a escada.
Ela o abraçou terna e apaixonadamente durante um bom tempo. Demonstrando o máximo de sentimento que ela poderia demonstrar. Então ela lembrou da primeira vez que o viu:

“Estava ele, criança no jardim de seu pai. Sua mãe acabara de morrer e ele não tinha pra onde ir... Arrumavam sua mãe, que tinha pedido para ser enterrada naquele jardim. Ele tinha seus quase 12 anos, a família chorava enquanto o caixão era colocado dentro da cova, ele tinha ido pra um canto, deitar entre as flores enquanto a amiga vinha buscar mais uma alma. Ela notou que ele a havia visto, depois de tantos anos, uma pessoa a vira. Ela não acreditava e passou a visitá-lo sempre lá. Ela parecia para ele como uma humana comum, que crescia junto com ele. Ele a amava realmente. Só ela perdia seu tempo com ele, ela que não tinha, mas tinha, muito tempo. Ela que ouvia o que ele tinha a dizer sobre vida. Sobre como gostava daquele jardim e das folhas, que pareciam tão vivas quanto as flores . Ele que começava a aprender com ela coisas que não poderia aprender com ninguém mais. Ela também o amava...”

Quando o pai morreu, ela se afastara do garoto que tinha 17 anos... Passara 6 anos da vida dele com ele e depois sumira, só aparecendo, esporadicamente, para buscar outros próximos.
A última vez que ele a vira fora quando ela viera buscar sua mulher, que mal soube, ela estava grávida. Faziam cinco anos desde então.

Ele que agora já não era mais são, havia esquecido por que sua amiga saía tanto, quem sua amada de infância era de fato. E por que ela estava ali, entre cacos no chão, um corpo caído e abraçando um homem morto.
Assim, ela sussurrou no ouvido daquele que fora o único que teve tempo pra ela:
- Vim te buscar, meu Amor...

segunda-feira, 16 de maio de 2011

Traços

Editado pra correção de vários alguns erros


Um dia eu peguei uma folha de papel e comecei a traçar uma linha cheia de ângulos retos sempre no mesmo sentido. Depois de umas 10 curvas, eu vi ali uma cidade. Todavia, ela estava incompleta - não havia sons de crianças brincando, carros andando. Não existiam os animais soltos, nem os moribundos notivagantes, nem os trabalhadores, nem a feira...
Então, eu resolvi colocar alguns “Vês”, sobre os prédios mais altos, representando pássaros que poderiam estar voando sobre a cidade. E se cada pássaro daquele tivesse uma história diferente pra contar? Se eu colocasse mais Vs, as histórias poderiam ser infinitas.
Olhei novamente pro esqueleto da cidade com a história dos pássaros em mente, pensei: “Quantos andares tem nesse prédio, pode ser tanto 3 como 30 como 100...”, vislumbrava a ponta mais alta daqueles traços tanto infantis. Coloquei algumas janelas em todos os prédios, todas em formas quadrangulares, tentando não escapar do padrão. Pronto, ali eu tinha o esqueleto da cidade e seus olhos.
Estava de dia ou de noite? Não sabia, não via sol nem lua ali. Antes de resolver esse problemas, coloquei vários sticks (aqueles desenhos em formatos humano, feito geralmente com traços e uma cabeça redonda) em posições diferentes nas janelas, uns de perfil, outros de costas, uma minoria de frente, olhando para mim. Poxa, se aqui existem umas mil janelas, se coloquei sticks em um décimos delas, já são cem histórias diferentes que eu poderia ouvir. E esses que olham pra mim, será que me veem? Será que eles poderiam contar essa história ao seu vizinho, que naquele momento simplesmente está passando em frente a janela? Como cada um teria sua versão, seria várias histórias novas.
Continuei pensando. Vou fazer alguns traços aki, mais baixos que os prédios, serão postes. E naquela mesma forma fui aproveitando as vacâncias para colocar alguns postes da cidade. Então resolvi acênde-los, e resolvi que era noite. Encostado nos postes coloquei mais alguns sticks, entre notivagos e amantes, e alguns animais. Aquilo parecia ganhar vida. E mesmo sendo um desenho, cada coisa parecia contar uma história diferente. Sorri!
Os pássaros começaram a ficar sem importância, então resolvi que os Vs poderiam ser corujas, corvos, morcegos e outras criaturas voadoras da noite. Eram novas histórias agora. E se colocar alguns em frente das janelas? Ou do lado dos que se amavam de baixo do poste? Ta ai, isso poderia ser interessante, num futuro aquelas figuras poderiam se lembrar “naquele dia, enquanto nos beijavamos uma coruja ficava nos observando... sabe que aquilo me arrepiava..” e eles sorririam. Talvez, arranjariam uma para cuidar – aquele poderia ter sido o primeiro beijo daquele casal...
Aquele que ficava na janela pode ter se assustado ao ver o vulto voador passar próximo dali, seria engraçado se tivesse mais alguém no comodo com aquela pessoa naquele momento. Ou os Vs poderiam alegrar o moribundos na noite, mesmo sem saber, sendo curiosos e chegando perto...
Sendo de noite, eliminei o problema das crianças brincando. Era noite e todos deviam estar na cama, é claro! Poderia fazer um ou outro stick menor entre os moribundos, mostrando aquelas que não tinham onde morar... fiz alguns então.
Pensei novamente naqueles que me olhavam, o que estaria passando na cabeça deles afinal? Deviam me repugnar por colocar sticks crianças nas ruas. Ah, mas eu queria fazer uma cidade. A coisa já nao parecia mais tão infantil.
Fiz os deliquentes em algum espaço livre das paredes dos prédios, aquilo começava a me divertir. Assim, comecei a me sentir observado mesmo por aqueles que apenas estavam de perfil em seus comodos na janela.
O que faltava mais ali? Não queria colocar detalhes nas construções e muito menos pintá-las, perderia a graça que o grafite dava.
Coloquei alguns carros em frente aos prédios só pra completar o desenho, mais linhas e ângulos retos. Ah sim, haviam amantes também nos carros, nos pontos mais isolados daquela cidade.
E tudo aquilo tinha uma história... e era apenas um desenho...

domingo, 12 de dezembro de 2010

Quase mil visitantes =D

Galera, estou aqui primeiramente pra agradecer a todos que visitam minha modesta página da internet, estou chegando a quase mil visitantes no contador que fica ao lado... isso quer dizer que pelo menos umas 50 pessoas devem me visitar frequentemente (se esse contador atualizar a cada vez que alguém atualizar a página, mas acho que não, pq pelas estatísticas do google, já houveram mais de 3700 visitas aqui), ou então, se não for assim, mas por ip, devem haver umas 200 pessoas que visitam aqui com frequência... mesmo assim, não esperava tanto... Espero que gostem e continuem visitando, se possível comentando meus textos, há vários aqui, alguns meio estranhos, de minha fase "o mundo é uma merda mesmo e que se foda tudo"... outros melhores e vários vindo pra cá...

Peço desculpas por ter ficado essas semanas sem postar algo novo aqui, mas provas são provas e ferram qualquer tempo livro de um ser... mas agora, de férias, tentarei atualizar mais vezes, umas duas ou três por semana, tenho muitos textos pra colocar aqui ainda... do "livro" até novos contos de minha autoria. Talvez coisas novas que fujam disso de palavras...

Obrigado a todos, e aproveitem as grandes merdas coisas que faço =D

domingo, 28 de novembro de 2010

Sinestesia

Sons laranjas iniciaram aquela madrugada. Na visão, a melodia de uma flauta de pã e os encantos de um calor palatável.
Quando misturaram com o laranja tons roxos e vermelhos, a lua sorriu e banhou os homens com todo encanto de sua música branca, deixando-os com água na boca para experimentar a magia do frio ao luar.
Assim, olharam novamente e sons de percussões e cordas juntavam com o da flauta, formando um arco-irís de diversos timbres diferentes . Os animais também sorriram.
Um escrivão resolveu anotar toda aquela magia. Então enxugou suas mãos e começou a escrever...
Enquanto o arco-iris pairava sobre as cabeças de homem, o cheiro da beleza estelar começava a tocar os corações mais fracos e afrouxava os mais fortes. Era o odor da escuridão infindável do universo. Era, também, melancólico.
O gosto da brisa que parecia vir direto dos fundílios celestiais começava a ficar doce como mel, entorpecente como um chá. Os homens o degustaram como profissionais.
O escrivão tentou começar com “ Os olhos...”.
Cores perolizadas começaram a passar pelos ouvidos de todos e o escrivão parou sem mesmo terminar a frase. Fechou os olhos, não via mais nada. As cores continuavam a passar por seus ouvidos, agora eram mais agressivas e se misturavam, transformavam em outras, surgiam diversas tonalidades mágicas, mas não paravam.
Os outros, mas poucos, notavam que o arco-irís se tornava mais brando com o tempo. Assim também ia recuando os efeitos narcóticos da bebida do universo. Os homens não eram mais profissionais da degustação. Tudo voltava ao normal.
Os animais não sorriam mais; os diurnos durmiam, os noturnos caçavam.
Entretanto, o escrivão permanecia de olhos fechados e iniciou de novo a sua escrita...

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

Enem, prova I – ciências humanas e suas tecnologias... (2009)

QUEM ACHA QUE O ENEM SÓ FOI ESTRANHO ESSE ANO, LEIA ISSO AQUI, UM PEQUENO RESUMO DA PRIMEIRA PROVA DO ANO PASSADO (FIZ NO DIA DA PROVA 05/12)


A justiça do fogo queimou a feiticeira ensinada pelo diabo, que por sinal, grande inimigo da igreja no século XVI, ensinava moças descentes a arte de enfeitiçar. Essas utilizavam o aprendizado pra ser bem casada, que a igreja não aceitava, pois queria que os cristãos preservassem a instituição do casamento recorrendo somente aos ensinamentos dela. As feiticeiras também eram feministas, coisa que a Inquisição via com maus olhos, porque ameaçava a sociedade. Além, os ingredientes (pós de defuntos e outros pós) preocupavam a igreja, pois afetavam a saúde do enfeitiçado enganado pela dissimulação.
Próximo dessa época, foi o fim das várias cidades que hoje se encontram no parque nacional do Xingu. Cercadas por muros de madeiras, pomares existiam em volta delas, também tanques para a criação de tartarugas; eram ligadas por caminhos, num total de quinze cidades relatadas, foi dizimada, aparentemente por epidemias – o que não aconteceu na Grécia antiga, em que o povo falava a mesma língua o que PODERIA ser igual em Xingu, desenvolveram a democracia que PODERIA ter sido desenvolvida nas cidades de Xingu, eram Cidades-Estados independentes e autônomas entre si (sic) assim como PODERIAM ter sido as cidades de Xingu, onde gregos dedicavam a arte e à filosofia ASSIM COMO PODERIA ser em Xingu... Bom, de igual, realmente, elas tinham estradas que as interligavam...
E na casa assassina, existia um mundo mágico que recuperava o encantamento perdido durante o período de decadência da aristocracia rural mineira além de ser símbolo de um passado ilustre que foi superado, mas que resiste a total dissolução.
O resto da prova, vocês imaginem...